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O que podemos aprender com a Tribo dos Apatanis?

By 12 de Janeiro de 2016Arte, Comportamento, Conhecimento

Toda decisão mercadológica deveria ser respaldada em uma criteriosa análise e compreensão da cultura na qual os entes envolvidos estejam inseridos, “temperadas” com generosa dose de feeling para que tenhamos assim uma redução dos riscos de implementação e uma possibilidade de inovação no processo decisório e vamos aprender um pouco com a Tribo dos Apatanis.

Rafael Sampaio ressalta a importância do conhecimento e interpretação dos  quatro Sistemas de Mercados para o processo decisório, sendo eles o Sistema Antropológico, o Sistema Social, o Sistema Econômico e o Sistema do Universo Empresarial.

O Sistema Antropológico possui relação direta com a evolução da civilização no decorrer dos tempos e resgata cultura, valores e costumes dos povos que tendem a ter grande influência na sociedade atual. Já o Sistema Social contém informações da forma pela qual a sociedade em questão vivencia e valoriza que sofre, por sua vez, influências do Sistema Econômico, cada vez mais sensível a economia de outras regiões. Com todo este emaranhado de signos, comportamentos e indicadores é que as empresas exercerão e receberão influências do meio em que estão localizadas e/ou  exercem também influências através de seus bens, serviços e ideias aliados aos comportamentos de seus stakeholders.

A priori, a civilização evolui no decorrer dos tempos através de lentas e contínuas influências provenientes de diversos agentes, como a tecnologia, por exemplo. Esta é uma interpretação natural da evolução social e econômica, mas não foi o percebido na última viagem realizada para registros fotográficos de tribos primitivas no Nordeste e Noroeste da Índia. A expedição foi organizada pelo experiente amigo e fotógrafo que já realizou trabalhos para a Revista National Geographic, Fabio Elias. Foi um convite pessoal para acompanhá-lo neste registro fotográfico das Tribos Apatanis e de Banni.

Os Apatanis, também conhecidos como Apa Tani ou Tanii, vivem atualmente na região de Arunachal Pradesh, no nordeste da Índia, em área até hoje disputada também pela China. A região está próxima da fronteira da Índia com a China e com Myanmar.

Era uma tribo nômade que agora concentra-se na cidade de Ziro, em Arunachal Pradesh. Segundo consta, as mulheres apatanis eram consideradas as mais lindas desta região da Índia e, por este motivo, eram sequestradas, raptadas e violentadas por outras tribos. Para tentar evitar esta violência elas decidiram inserir alargadores de circulares de madeira em seus narizes e também tatuaram listras azuladas na testa e queixo. Esta tatuagem era realizada ainda quando crianças fazendo uso de espinhos para perfurar a pele e injetar substâncias coletadas na floresta.

Como a cultura dos Apatanis não tem o hábito de registrar seus comportamentos sob a forma escrita, os costumes são repassados oralmente pelas pessoas, de família para família e sua história tende a se perder com a modernização do mundo. Desde 1998, segundo relato de pessoas da tribo, que ficou proibido de perfurar os narizes das meninas e tatuá-las, pois as mesmas sofriam de booling nas escolas. Desta forma, hoje somente as mulheres mais velhas podem ser vistas com estes ornamentos.

A alimentação dos Apatanis é baseada no arroz cultivado por eles e também em animais como vacas, mithuns, francos, porcos, cachorros, gatos e ratos. Na verdade, não há restrições de animais para refeição que é acompanhada por uma espécie de cerveja de arroz, uma bebida forte e de cor branca leitosa, consumida quente com sal negro em canecos feitos com o nó do bambu.

Trata-se de um povo bastante religioso e faz parte da cultura o sacrifício de mithuns, vacas, frangos, porcos e cachorros. Quando uma pessoa da família está doente, dependendo da situação, é realizado o sacrifício de um animal e parte do mesmo é colocada na frente da residência, da qual posteriormente o xamã da tribo irá visitar o enfermo e tomar suas providências. A pele de porco (sacrificado) envelhecida por 10, 20 e até 30 anos é muito valorizada e utilizada como dote nos casamentos para posteriormente servir de alimento. Um pedaço de pele de porco envelhecida com cerca de 30cm2 pode ter um valor equivalente a US$ 1,500.00.

Os Apatanis veneram tanto o Sol (Ayo Danyii) quanto a Lua (Atoh Piilo) e a expressão Paya Aro Pacho é muito forte e possui o significado de agradecimento, algo como “muitíssimo obrigado”.

É interessante ressaltar o cuidado que os Apatanis têm com as plantações de arroz irrigado e habitados por peixes. É uma prática única com forte ligação sustentável e sem o uso de animais e/ou máquinas, um exemplo para o mundo.

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