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Advertência – por Clóvis de Barros Filho e Arthur Meucci

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Os prefácios de livros geralmente são deixados para trás, ignorados. Porém – quando bem escritos – nos trazem reflexões importantes para a compreensão tanto da obra quanto das nossas vidas.

Clóvis de Barros Filho e Arhur Meucci chamaram de “Advertência” o prefácio de seu livro “A vida que vale a pena ser vivida” e que aqui compartilho com vocês desafiando para uma reflexão paralela a tantos “modelos e receitas” que nos são apresentados em cursos, disciplinas e afins.

Comentários e correlações são bem vindos!

Advertência

“Você ainda está na livraria. Tomou este livro da estante para folhear. Atraído pelo título. A caminho do caixa. Não se precipite.

Você supõe que a leitura oferecerá soluções para a sua vida. Que resolverá seus problemas. Ou ao menos justificará sua tristeza. Que os 10 capítulos sejam dicas inéditas e preciosas para se dar bem daqui para a frente. Receitas de gurus consagrados de além-mar. Que você acaba de descobrir um tesouro. Que finalmente o segredo do sucesso será revelado.

Saiba que você está equivocado. Este livro não atende às suas expectativas. Sua leitura não trará soluções. Nele você não encontrará nenhuma dica ou artifício para se dar bem. Por ele, o sucesso continuará dos outros. Fora de seu alcance.

Portanto, feche o livro para não perder mais tempo. Recoloque-o imediatamente na estante. No lugar de onde tirou. Outras obras, ao lado, atenderão melhor este seu anseio.

Deixe este exemplar para outro leitor. Menos esperançoso. Mais desconfiado dos programas de excelência existencial. Que, se funcionassem, já teriam erradicado a tristeza do mundo. Ele talvez intua que o sucesso não tem fórmulas secretas. Que se a liderança passo a passo fosse eficaz, todos já seriam líderes. Ele provavelmente se dá conta de que fórmulas indiscutíveis escravizam. De que a soberania para deliberar sobre a própria vida – com todos os riscos – é nosso único verdadeiro patrimônio. Inalienável.

Para ele escrevermos. Oferecendo reflexão crítica sobre os critérios existenciais mais consagrados. Para que possa resistir, cada vez melhor, contra todo tirano qu pretenda empurrar-lhe goela abaixo a vida que vale a pena.”

Obs.: Vale a pena comprar e ler este livro.

Brownie de Castanha de Caju

By | Brownie, Café, Cafés Especiais, Coffee, Receitas, Specialty Coffee | No Comments

Não existe “receita de bolo” nem em receitas culinárias.

Costumo dizer que tudo depende da percepção, do conhecimento e do bom senso de quem está preparando. Nas receitas culinárias, a qualidade dos alimentos, a vazão do gás do fogão, a regulagem do fogão e a intensidade do calor gerado fazem uma grande diferença nos dados e informações explicitadas nas receitas.

Você faz a diferença!

Brownie de Castanha de Caju

Ingredientes:

  • 2 xícaras (chá) de açúcar;
  • 1 + 1/3 xícara (chá) de farinha de trigo;
  • 1 xícara (chá) de castanha de caju picada;
  • 2/3 de xícara (chá) de óleo;
  • 2 colheres (chá) de essência de baunilha;
  • 1 sachê de açúcar de baunilha (adaptação minha, se não tiver está tudo bem – utilizo quando consigo o Bourbon Vanille Zucker da Dr. Oetker);
  • 1 colher de chá de fermento em pó;
  • 100g de chocolate 60% de cacau (esta também é uma adaptação minha e você pode optar por chocolate meio amargo) e,
  • 4 ovos (prefiro orgânicos e caipiras)

O Preparo

    1. Aqueça o forno em temperatura média (eu utilizo entre 170ºC e 180ºC);
    2. Unte uma assadeira (a minha tem 22cm por 28cm) com manteiga e polvilhe com farinha de trigo;
    3. Bata os ovos até que fiquem uma mistura bem leve;
    4. Aos poucos, adicione o açúcar e bata até misturar bem;
    5. Junte o óleo, o chocolate derretido e a baunilha e mexa bem;
    6. Adicione aos poucos a farinha de trigo e mexa
    7. Adicione o fermento em pó e mexa bem;
    8. Adicione a castanha de caju e misture até obter uma massa homogênea.
    9. Ponha a massa na assadeira e leve ao forno pré-aquecido por cerca de 40 minutos (aqui entra um dos detalhes da percepção e bom senso. Tudo dependerá das características do seu forno e do seu controle);
    10. O centro do brownie de castanha de caju deve ficar úmido;
    11. Deixe esfriar e ,
    12. Divirta-se, convide os Amigos, brinde, comemore, saboreie com um bom café (pode ser coado, espresso, como você preferir, mas um Bom Café) … e me convide se lembrar!
    13. PS1. Querendo dicas sobre café, será um prazer compartilhar e tenho também algumas publicações aqui neste Blog sobre Cafés Especiais – Specialty Coffee;
    14. PS2. Comente se você gostou!
specialty coffee

Café e Saúde: Uma combinação perfeita!

By | Café, Cafés Especiais, Coffee, Sem categoria, Specialty Coffee | No Comments

Café e Saúde

Você sabia ...

As informações deste post sobre o café tem sua fonte no livro “O sonho do Café” de Andrea Illy, publicado em 2016.

Ressalto que estas informações referem-se ao “bom café“. Chamo de bom café aquele teve a menor parcela de “estragos” durante a sua cadeia de transformação – da planta até a xícara com o consumidor. Escreverei mais sobre isto em postagens futuras. Dos 3 bilhões de xícaras consumidas diariamente no mundo, uma grande parte refere-se a um café bastante prejudicado e – certas vezes – até estragado.

A primeira forma com a qual o café entra em contato com o nosso organismo se faz por meio dos nossos sentidos e pelo despontar do prazer provocado pelo sabor, consistência e aroma.

Após esta etapa surge um segundo tipo de efeito: o neurofisiológico. O café nos provoca a sensação de bem estar, nos deixa com bom humor e revigora a nossa energia.

O café é estimulante do sistema nervoso central e tem a capacidade de afastar a sonolência deixando-nos preparados para o trabalho intelectual e criativo, podendo inclusive diminuir a dor de cabeça.

specialty coffee Kassai Café

Observe a homogeneidade tanto do tamanho dos grãos quanto da cor do café recém torrado. A fotografia ao lado foi tirada no Kassai Café logo após o processo de torra. Nesta etapa o café está sendo resfriado no recipiente do torrefador.

Estas características são importantes de serem observadas antes de consumir um café. O café que é torrado com grãos de tamanhos homogêneos terá também a torra homogênea em todos os grão, ou seja, não terão grãos mais e menos torrados neste lote.

A cor do café não é marrom bem escura e muito menos preta, de onde conclui-se de que as substâncias do café não foram queimadas e transformadas em carvão.

O café de boa qualidade, de preferência um Specialty Coffee, que é torrado preservando-se estas características fará muito bem para a saúde humana e será doce por natureza e não extremamente amargo.

Os Benefícios do Café

Você sabia que dentre as substâncias mais estudadas no mundo do ponto de vista clínico encontra-se o café?

São mais de 25 mil artigos científicos publicados e não existe nenhuma prova de que o seu consumo moderado possa fazer mal para a saúde.

Dentre alguns resultados, temos:

  • Em doses não exageradas, o bom café não atrapalha o sono;
  • Em doses não exageradas, o bom café não faz mal ao coração;
  • Os benefícios são mais concentrados no café espresso (o café espresso possui menos cafeína);
  • A espécie de café Arábica possui menos cafeína que a espécie de café Robusta (1,3% contra aproximadamente 2,6% na Robusta);
  • Além da cafeína, o café Arábica possui mais 1.500 substâncias;
  • A presença de vários antixoxidantes no café auxilia na prevenção da diabetes tipo 2;
  • A presença dos antioxidantes no café também age de forma importante na prevenção contra doenças cardiovasculares, além de prevenir contra algumas formas de câncer da cavidade oral, da faringe e do fígado;
  • As substâncias antioxidantes presentes no café também possuem certa ação preventiva em relação a patologias como o Parkinson e o Alzheimer, além da redução da probabilidade de tumor no endométrio, faringe, fígado, cérebro, reto, próstata e de certos cânceres de pele (melanoma).

Mas lembre-se: estas características não se referem a qualquer café, pois o mesmo deve ter um cuidado muito especial em todo o seu processo produtivo. Como exemplo, se o café for torrado de mais, as suas melhores propriedades serão deterioradas.

O bom café faz bem para a saúde humana e possui um sabor maravilhoso!

Fonte:

ILLY, Andrea. O sonho do café. Organização: Alessandra Viola. Tradução: Adriana Marcolini. Rio de Janeiro: Valentina, 2016.

Ver como um Artista vê

By | Arte, Conhecimento, Criatividade, Poesia | No Comments

Este é um dos textos mais fantásticos que já tive a oportunidade de ler e que ao meu ver – melhor retrata o que é ser uma boa pessoa e um bom profissional. Leia trocando as palavras “Artista” e “ator” pelo seu nome.

Muito sucesso para todos nós!
Eduardo Trauer 一期一会

 Ver como um Artista vê

“Um ator (você) deveria ser um observador não apenas no palco, mas também na vida real. Ele deveria se concentrar com todo o seu ser em qualquer coisa que atraia sua atenção. Ele (você) deveria olhar para um objeto não como qualquer passante de mente ausente, mas de forma penetrante. De outra forma todo o seu processo criativo se mostrará desequilibrado e não terá relação com a vida

…As pessoas comuns não têm idéia de como observar a expressão facial, o olhar; o tom de voz, para compreender o estado de espírito das pessoas com quem conversam. Elas nem captam ativamente as complexas verdades da vida nem escutam de modo que possam compreender o que ouvem. Se pudessem fazer isso, a vida, para elas, seria melhor e mais fácil, e seu trabalho criativo incomensuravelmente mais rico, melhor e mais profundo

…Como podemos ensinar às pessoas que não observam a perceber o que a natureza e a vida estão tentando lhes mostrar? Antes de tudo, elas precisam ser ensinadas a olhar, ouvir e escutar o que é belo… Nada na vida é mais belo do que a natureza, e ela deveria ser objeto de constante observação

… E não evite o lado mais escuro da natureza. Procure por ele nos pântanos, no lodo dos oceanos, em meio às pragas de insetos, e lembre-se de que por detrás desses fenômenos há beleza, exatamente como no amor há desamor.”

Constantin Stanislavski criador do método de representação teatral

RAY, Michael. Criatividade nos negócios. Tradução: Paulo Moreira. Rio de Janeiro: Record, 1996. p. 135-136.
specialty coffee

Aprendendo a Preparar um Specialty Coffee

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Specialty Coffee - Entrevista com Péricles Diniz

Diniz Coffee & Sweets

Entrevista realizada com Péricles Diniz e Yoko Diniz que estiveram no Brasil em setembro e outubro de 2016. Péricles, proprietário da Diniz Coffee & Sweets é um maiores conhecedores de cafés especiais do mundo e nos brindou com estas dicas preciosas de como preparar um specialty coffee para extrair o melhor de suas propriedades.

Péricles: Como é que podemos preparar uma deliciosa xícara de café coado para extrair o melhor do Specialty Coffee?

“Uma xícara de café consiste em 98,5% de água e 1,5% de extrato de café. O primeiro requisito para se preparar um xícara gostosa de café é usar água e um café de boa qualidade (specialty coffee). O segundo requisito é usar uma proporção correta de água e pó de café. O melhor resultado para nossos cafés são conseguidos com 150ml de água e 10g de pó. O terceiro requisito é conseguir extrair entre 18% a 22% de substâncias do pó de café para dar o aroma e sabor a nossa bebida. Este requisito está diretamente ligado a nossa capacidade de controlar a eficiência e velocidade de extração das substâncias aromáticas contidas no grão de café pela água quente.

Podemos exercer o controle sobre a eficiência e velocidade de extração das substâncias contidas no grão de café alterando a área de contato da água com o pó de café, o tempo de contato da água com o pó de café, a temperatura da água e o grau de agitação da mistura água/pó.

O grão de café inteiro apresenta uma área de contato muito pequena com a água que dificulta o processo de extração das substâncias aromáticas nele contida. Assim, precisamos moer o café para aumentar a área de contato da água com o pó de café.

Quanto mais fina a moagem, maior será a área de contato e mais eficiente será a extração das substâncias aromáticas pela água quente. Podemos pensar que quanto mais eficiente for a extração, mais gostosa será nossa xícara de café, mas isto não é verdade. Existem nos grãos de cafés substâncias aromáticas e de sabor agradável, mas também existem substâncias de sabor amargo e que provocam adstringência.

Queremos em nossa xícara de café apenas as substâncias aromáticas e de sabor agradável. Quando promovemos a extração de mais de 22% de substância do grão de café, aumentamos consideravelmente a quantidade de substâncias que causam amargor e adstringência em nossa bebida. Quando extraímos menos de 18% de substâncias do grão, diminuímos a quantidade de substâncias aromáticas e de sabor agradável em nosso café, tornando-o mais ácido e aguado. É preciso ajustar a granulometria do pó de café com o tempo de extração e o tipo de equipamento utilizado para obter resultados adequados na preparação da nossa xícara de café.”

Quer conhecer e provar um Specialty Coffee?

Quando busco o Café para meu consumo, os Amigos próximos sempre me questionam se poderia trazer para eles ou qual marca poderiam comprar nos mercados. Assim, abri a oportunidade para quem desejar provar um Specialty Coffee encomendar e trarei junto com os meus.

Estarei aceitando encomendas até a próxima quinta-feira dia 13 de outubro pelo Facebook

O quê? Café (Specialty Coffee) em embalagem de 250g de café moído (moagem para café coado) ou em grão;
Quando? Encomendas até o dia 13 de outubro (quinta-feira);
Como? Registro da quantidade desejada aqui neste Post;
Onde? Entrega na cidade de Florianópolis, São José SC ou retirada na Suporte & Inovação Interiores (Rua Clodorico Moreira, 23 – Santa Mônica – Florianópolis – próximo ao Shopping Iguatemi);
Quanto? R$22,00 cada embalagem de 250g (pagamento apenas em dinheiro físico).

Kassai Café - Specialty Coffee

Specialty Coffee resfriando após a torra realizada pelos Mestres de Torra da Kassai Café.

Perceba a homogeneidade do tamanho dos grãos e a uniformidade impecável na tonalidade da cor dos grãos de cafés selecionados manualmente pelos Mestres da Kassai Café.

“Podemos aumentar a eficiência da extração das substâncias aromáticas contidas no grão de café proporcionando um tempo maior de contato da água com o pó de café. Aumentando o tempo de contato da água com o pó de café, permitimos que a água penetre entre as fibras do grão e promova a dissolução das substâncias aromáticas mesmo em uma moagem mais grossa.

Quanto maior for o tempo de contato da água com o pó de café, maiores são as chances de ocorrer também a dissolução de substâncias que causam amargor e adstringência no café. Isto acontece porque estas substâncias apresentam um grau de solubilidade em água menor que as substâncias aromáticas e de sabor agradável, mas havendo tempo suficiente elas também são dissolvidas e extraídas pela água quente.

Cada método de preparação de café possui um tempo ideal de contato da água com o pó e uma granulometria do pó de café adequada para maximizar a extração das substâncias aromáticas e de sabor agradável e minimizar a extração das substâncias de sabor amargo e adstringente.

A temperatura da água também é de extrema importância para que ocorra a dissolução adequada das substâncias solúveis presentes no grão de café. A capacidade de solubilização da água é maior entre as temperaturas de 92ºC a 96ºC. Esta propriedade da água facilita a dissolução e extração dos compostos aromáticos do grão de café tornando nossa bebida mais saborosa.  A alta temperatura da água também promove a mudança do estado sólido para o líquido de algumas substâncias insolúveis presentes no grão de café possibilitando a sua extração. Por isto, devemos sempre ferver a água por um breve instante e permitir que ela descanse por aproximadamente 30 segundos antes de usá-la no preparo do nosso café.

A agitação da mistura água/pó permite que a água molhe todas as partículas de café e promova a dissolução das substâncias aromáticas presentes no grão. A agitação da mistura também evita a saturação da água imediatamente próxima às partículas do pó de café facilitando a extração das substâncias solúveis.

A falta de agitação da mistura água/pó diminui a extração das substâncias aromáticas e produz um café mais ácido e aguado, enquanto que a agitação excessiva promove a extração excessiva de substâncias do grão de café e produz uma bebida de sabor forte, com amargor intenso e adstringente.

Verter água quente sobre o pó fazendo movimentos circulares do centro para a periferia e vice-versa é suficiente para promover a agitação necessária a extração das substâncias aromática do pó de café quando se utiliza o método de filtragem. Porem, a agitação manual da mistura água/pó é necessária quando se utiliza o método de infusão para o preparo da nossa xícara de café.

Agora vamos empregar os conhecimentos que discutimos. Quando preparamos uma xícara de café e notamos que a bebida apresenta maior acidez e um sabor fraco, sabemos que não houve extração suficiente das substâncias aromáticas e de sabor agradável presente no pó de café. As causas desta extração insuficiente podem ser: moagem muito grossa do pó de café, tempo de contato da água com o pó de café insuficiente, baixa temperatura da água e/ou falta de agitação da mistura água/pó.

Quando preparamos uma xícara de café e notamos que a bebida apresenta um sabor muito forte acompanhado de amargo e adstringência, sabemos que houve extração exagerada de substâncias presentes no pó de café. As causas dessa extração exagerada podem ser: moagem muita fina do pó de café, tempo de contato da água com o pó de café muito longo e/ou agitação excessiva da mistura água/pó. Seja qual for a situação precisamos identificar onde houve o problema e corrigir a nossa falha.”

Muito obrigado Péricles e Yoko Diniz pelas ótimas informações, pela companhia e pela prosa .. regada a um excelente specialty coffee. Até breve Amigos!

Um ótimo specialty coffee para todos nós!

一期一会

Em breve, mais dicas sobre a visão de mundo dos Specialty Coffees. Sinta-se a vontade para compartilhar!

A Química do Café Espresso

By | Café, Coffee, Conhecimento | No Comments

O Café é verdadeiramente Especial, é complexo, místico e engloba culturas de mais de 70 países produtores propiciando trabalho para cerca de 100 milhões de pessoas no mundo.

(Internacional Coffee Organization apud Illy, 2016).

 

“Do ponto de vista químico, o espresso é, ao mesmo tempo, uma solução, uma emulsão, uma suspensão coloidal e uma efervescência. Na prática, trata-se de um pequeno milagre de química e física.

A solução é um sistema constituído das substâncias químicas do café (incluindo seus aromas) solubilizadas na água (carboidratos, ácidos, cafeína). Por outro lado, emulsionam-se com a água os óleos contidos no grão (e, portanto, no pó de café), que não se dissolvem espontaneamente, mas, graças à alta temperatura e à ação mecânica da extração, dispersam-se na água sob a forma de minúsculas gotinhas. A efervescência é conferida pela presença de uma fase gasosa (constituída principalmente por dióxido de carbono) que fica bloqueada durante a preparação e emerge na superfície do espresso como uma camada de espuma. Finalmente, a suspensão é causada pela presença de minúsculas partículas sólidas de café moído, que permanecem na bebida e, às vezes, podem ser entrevistas como minúsculos pontinhos escuros na espuma mais clara (como as listras do tigre).

Um espresso perfeito é um pequeno milagre. Para obter esse resultado é preciso que não menos de uma dúzia de variáveis estejam perfeitamente dispostas, como a dose de café colocada no filtro e também o próprio filtro, a consistência, a moagem, a resistência da água e a sua qualidade, a sua temperatura e a pressão, além do tempo de extração.”

ILLY, Andrea. O sonho do café. Organização Alessandra Viola. Tradução: Adriana Marcolini. Rio de Janeiro: Valentina, 2016, p. 21.

Pelas palavras de Jorge Kasai, no dia em que pela primeira vez conheci o Verdadeiro Café: “O bom café só aproxima pessoas do bem.”

 

O que podemos aprender com a Tribo dos Apatanis?

By | Arte, Comportamento, Conhecimento | No Comments

Toda decisão mercadológica deveria ser respaldada em uma criteriosa análise e compreensão da cultura na qual os entes envolvidos estejam inseridos, “temperadas” com generosa dose de feeling para que tenhamos assim uma redução dos riscos de implementação e uma possibilidade de inovação no processo decisório e vamos aprender um pouco com a Tribo dos Apatanis.

Rafael Sampaio ressalta a importância do conhecimento e interpretação dos  quatro Sistemas de Mercados para o processo decisório, sendo eles o Sistema Antropológico, o Sistema Social, o Sistema Econômico e o Sistema do Universo Empresarial.

O Sistema Antropológico possui relação direta com a evolução da civilização no decorrer dos tempos e resgata cultura, valores e costumes dos povos que tendem a ter grande influência na sociedade atual. Já o Sistema Social contém informações da forma pela qual a sociedade em questão vivencia e valoriza que sofre, por sua vez, influências do Sistema Econômico, cada vez mais sensível a economia de outras regiões. Com todo este emaranhado de signos, comportamentos e indicadores é que as empresas exercerão e receberão influências do meio em que estão localizadas e/ou  exercem também influências através de seus bens, serviços e ideias aliados aos comportamentos de seus stakeholders.

A priori, a civilização evolui no decorrer dos tempos através de lentas e contínuas influências provenientes de diversos agentes, como a tecnologia, por exemplo. Esta é uma interpretação natural da evolução social e econômica, mas não foi o percebido na última viagem realizada para registros fotográficos de tribos primitivas no Nordeste e Noroeste da Índia. A expedição foi organizada pelo experiente amigo e fotógrafo que já realizou trabalhos para a Revista National Geographic, Fabio Elias. Foi um convite pessoal para acompanhá-lo neste registro fotográfico das Tribos Apatanis e de Banni.

Os Apatanis, também conhecidos como Apa Tani ou Tanii, vivem atualmente na região de Arunachal Pradesh, no nordeste da Índia, em área até hoje disputada também pela China. A região está próxima da fronteira da Índia com a China e com Myanmar.

Era uma tribo nômade que agora concentra-se na cidade de Ziro, em Arunachal Pradesh. Segundo consta, as mulheres apatanis eram consideradas as mais lindas desta região da Índia e, por este motivo, eram sequestradas, raptadas e violentadas por outras tribos. Para tentar evitar esta violência elas decidiram inserir alargadores de circulares de madeira em seus narizes e também tatuaram listras azuladas na testa e queixo. Esta tatuagem era realizada ainda quando crianças fazendo uso de espinhos para perfurar a pele e injetar substâncias coletadas na floresta.

Como a cultura dos Apatanis não tem o hábito de registrar seus comportamentos sob a forma escrita, os costumes são repassados oralmente pelas pessoas, de família para família e sua história tende a se perder com a modernização do mundo. Desde 1998, segundo relato de pessoas da tribo, que ficou proibido de perfurar os narizes das meninas e tatuá-las, pois as mesmas sofriam de booling nas escolas. Desta forma, hoje somente as mulheres mais velhas podem ser vistas com estes ornamentos.

A alimentação dos Apatanis é baseada no arroz cultivado por eles e também em animais como vacas, mithuns, francos, porcos, cachorros, gatos e ratos. Na verdade, não há restrições de animais para refeição que é acompanhada por uma espécie de cerveja de arroz, uma bebida forte e de cor branca leitosa, consumida quente com sal negro em canecos feitos com o nó do bambu.

Trata-se de um povo bastante religioso e faz parte da cultura o sacrifício de mithuns, vacas, frangos, porcos e cachorros. Quando uma pessoa da família está doente, dependendo da situação, é realizado o sacrifício de um animal e parte do mesmo é colocada na frente da residência, da qual posteriormente o xamã da tribo irá visitar o enfermo e tomar suas providências. A pele de porco (sacrificado) envelhecida por 10, 20 e até 30 anos é muito valorizada e utilizada como dote nos casamentos para posteriormente servir de alimento. Um pedaço de pele de porco envelhecida com cerca de 30cm2 pode ter um valor equivalente a US$ 1,500.00.

Os Apatanis veneram tanto o Sol (Ayo Danyii) quanto a Lua (Atoh Piilo) e a expressão Paya Aro Pacho é muito forte e possui o significado de agradecimento, algo como “muitíssimo obrigado”.

É interessante ressaltar o cuidado que os Apatanis têm com as plantações de arroz irrigado e habitados por peixes. É uma prática única com forte ligação sustentável e sem o uso de animais e/ou máquinas, um exemplo para o mundo.

O que podemos aprender com a contação de histórias?

By | Arte, Coffee, Comportamento, Conhecimento, Criatividade, Criatividade e o Olhar na Fotografia, Curso de Criatividade, Momento Decisivo, Poesia, Thinking | No Comments

Somos todos contadores de histórias, mas estamos perdendo o hábito da contação de histórias.

 

escreve Tennyson Pinheiro no Capítulo 12 de Design Thinking Brasil e, neste mesmo capítulo, apresenta a afirmação de Steven Spielberg: “As pessoas desaprenderam a contar histórias. Histórias não têm mais um meio e um fim. Elas agora têm um início que fica continuamente sendo iniciado.”

Nada é capaz de substituir a experiência de estar em campo convivendo com outras pessoas, mas uma história bem contada é, sem dúvida, uma forma de chegar bem perto disso. (…) Na pré-história, para o homem das cavernas, contar boas histórias não era uma regalia de criativos, era uma necessidade de sobrevivência. A contação de histórias representava a única maneira de propagar ensinamentos de geração em geração.” E Tennyson segue abordando um fato que está presente em nossos tempo, muito mais do que deveria – ao meu ver: “A era da informação inundou o mundo de dados e pôs um fim nisso (contação de histórias). Nos tornamos viciados em citar fatos em vez de trazer à tona as histórias que esses fatos sustentam.” (Pinheiro, 2011, p. 93-94)

Parece que a tecnologia busca simplificar os trabalhos, mas talvez esteja contribuindo para uma certa “preguiça mental” das pessoas que acabam por buscar respostas imediatas sem nem mesmo raciocinar para compreender o que verdadeiramente buscam. A Formação de Juízo de Valor acaba por ficar segmentada, fragilizada e quiçá sem consistência. É como a brincadeira do telefone sem fio, a cada mensagem repassada mais ruídos assolam e contribuem para a distorção da mensagem original.

Saber contar uma história é uma dádiva e está bastante relacionada aos encontros das pessoas, famílias e amigos em torno de uma fogueira, compartilhando acontecimentos, repassando conhecimentos e propagando suas culturas.

Em uma belíssima entrevista transmitida pelo programa Conta Corrente da Globo News no início do Século XXI com a Anita Roddick, fundadora da The Body Shop; uma pessoa que muito admirei e que tive a oportunidade de conversar com ela na época do lançamento de seu livro Business as Unusual (autografado!), época em que pensava em abrir a primeira The Body Shop no Brasil, mas a Anita me disse que ainda não era o momento para isto devido a cultura na percepção de valores dos produtos da The Body Shop e a compreensão de que parte do valor pago é direcionado para pesquisas e causas sociais sendo desta forma seus valores eram nominalmente mais elevados; Anita ressalta na transcrição abaixo a sua preocupação e valorização com a preservação da contação de histórias:

 

“Contar história é a base da educação em todos os lugares em que estive. Quando você entra na primeira Body Shop, vê os produtos nas prateleiras com pequenos cartões com explicações sobre onde foram feitos, porque são diferentes, vemos no contar a história de onde vêm os produtos, de quem deu as informações. Contar histórias é da natureza feminina, é a maneira de a mulher passar seus conhecimentos. É mágico! Quando vai para uma comunidade de qualquer país e fala com mulheres de 80 anos e pergunta sobre nascimento, casamento e morte: ‘O que usa no seu corpo quando está prestes a casar? E quando vai ter um bebê? Como protege seu corpo…’ Para tudo isso elas sabem as respostas. Homens não estão interessados nisso. Contar histórias vem do coração. Sempre foi assim. Em qualquer comunidade, se perguntarmos às avós: ‘Como isso funciona? Como você lavava seu cabelo quando sua avó estava viva?’ Esse tipo de conhecimento não está sendo transmitido, pois tudo envolve tecnologia e ciência. Então contar histórias … se voltarmos ao passado, vendo o que ocorreu antigamente, eram ideias frequentes, trabalhamos com antropólogos que eram fascinantes. Tiramos sabedoria da população pré-industrial, não dos cientistas, e sim dos que vivem em fazendas.

Para saber contar histórias é preciso desenvolver o hábito e o respeito em fazer uso de todos os nossos sentidos, para que possamos “ver e enxergar”, “ouvir e escutar”, “sentir, sonhar e acreditar”, porque há tantas pessoas, ressalta Zuleica Medeiros, que olham e não vêem, ouvem mas não escutam.

Na Década de 1990 eu li em alguma obra um texto maravilhoso de Constantin Stanislavski – Ver como um artista vê -, copiei o texto em um caderno com o nome do autor e lamentavelmente não registrei a fonte de onde encontrei. Tinha em minha memória que havia sido no livro Ser Criativo de Stephen Nachmanovitch, indicado por Alex Periscinoto, porém – quando voltei a procurar – não encontrei neste livro. (Aqui aprendi a importância de referenciar bem nossas leituras e pesquisas)

Este texto foi publicado por Stanislavsky (criador do método de representação teatral) no Manual do Ator, publicado pela Martins Fontes em 1988 em sua primeira edição brasileira, na página 115 quando aborda “Observação”. A tradução do Manual do Ator é diferente da que tenho registrada comigo e que gosto tanto e compartilho com vocês logo abaixo. É, ao meu ver, o texto que melhor reflete o que é ser um bom profissional:

 

Ver como um artista vê, de Constantin Stanislavski

“Um ator deveria ser um observador não apenas no palco, mas também na vida real. Ele deveria se concentrar com todo o seu ser em qualquer coisa que atraia sua atenção. Ele deveria olhar para um objeto não como qualquer passante de mente ausente, mas de forma penetrante. De outra forma todo o seu processo criativo se mostrará desequilibrado e não terá relação com a vida…

…As pessoas comuns não têm idéia de como observar a expressão facial, o olhar; o tom de voz, para compreender o estado de espírito das pessoas com quem conversam. Elas nem captam ativamente as complexas verdades da vida nem escutam de modo que possam compreender o que ouvem. Se pudessem fazer isso, a vida, para elas, seria melhor e mais fácil, e seu trabalho criativo incomensuravelmente mais rico, melhor e mais profundo…

…Como podemos ensinar às pessoas que não observam a perceber o que a natureza e a vida estão tentando lhes mostrar? Antes de tudo, elas precisam ser ensinadas a olhar, ouvir e escutar o que é belo… Nada na vida é mais belo do que a natureza, e ela deveria ser objeto de constante observação… E não evite o lado mais escuro da natureza. Procure por ele nos pântanos, no lodo dos oceanos, em meio às pragas de insetos, e lembre-se de que por detrás desses fenômenos há beleza, exatamente como no amor há desamor.”

Este é um texto tão lindo e tão simples que dispensa maiores explicações e assim sugiro que pensemos em seu verdadeiro significado e em como colocá-lo em prática no nosso cotidiano. Esta prática diária enriquecerá nossas percepções e certamente influenciará em nosso potencial criativo e inovador.

Tennyson Pinheiro também apresenta no início do Capítulo 20 de Design Thinking Brasil a descrição de uma casa persa de café pelo explorador francês Jean Chardin, no Século XVII. Como informe, a primeira casa de café foi fundada em Damasco, capital da Síria, em meados de 1530. Segue a descrição:

“As pessoas se engajam em conversas, era um lugar onde notícias eram espalhadas e aqueles interessados em política se juntavam para criticar o governo, de maneira livre. Jogos inocentes, lembrando a dama e o xadrez eram jogados. Em complemento a isso, religiosos e poetas se revezavam na contação de histórias…”

 

[continua em breve]